Leis de Rechilut, regra 9, parágrafo 5
E agora passaremos a explicar outra grande regra nestes assuntos, e através dela será esclarecida a quinta condição mencionada acima.
Saiba que toda a permissão de contar que escrevemos acima se aplica justamente quando a pessoa a quem conta ainda não fechou o acordo com aquele sobre quem conta. Mas se já o fecharam, depende. Se souber que, por causa das palavras que lhe revelar, ele não causará nenhum dano àquele sobre quem contou, mas apenas saberá se precaver para não ser prejudicado por ele, e se cumprirem todas as condições, então é permitido e correto contar-lhe.
Mas se conhece a natureza da pessoa a quem conta, e sabe que, se lhe contar, certamente aceitará como verdade absoluta, fará justiça por conta própria e tomará uma atitude — desfazer a sociedade ou outras formas de dano — com base nas suas palavras, mesmo que não faça mais do que o que o tribunal imporia com base nas suas palavras caso duas testemunhas testemunhassem como ele diz, ainda assim é proibido.
Pois, com as suas palavras, causa à pessoa de quem se fala mais do que o tribunal lhe imporia, já que o tribunal não a condenaria com base nas suas palavras, por ser ele apenas uma única testemunha.
De acordo com isso, parece que, se os narradores forem dois e tiverem visto o fato pessoalmente, podem contar, se a sua intenção for apenas afastar os danos, e desde que não se cause um dano maior do que o que seria causado pelo tribunal, e que também se cumpram as demais condições.