Halachot do Chafets Chaim
Halachá 23 / 215

Leis de Lashon Hará, Abertura – Mandamentos negativos (16)

E às vezes transgride também a proibição da bajulação (chanufá), que, segundo a opinião de muitos Gaonim, é uma proibição plena da Torá, a proibição (Números 35:33) de "Não contaminareis (com bajulação) a terra". Por exemplo, se, com o seu relato, ele pretende bajular o ouvinte, sabendo que este odeia há tempos aquele sobre quem ele conta o lashon hará, e, por meio disso, encontrar graça aos seus olhos. Pois, além de não cumprir a mitsvá da repreensão, repreendendo-o por odiar o seu companheiro, ainda fortalece com os seus relatos o ódio entre eles.

E saiba também que, por causa dos nossos muitos pecados, é comum que alguém conte lashon hará e o ouvinte, embora saiba que aquilo é lashon hará, balance a cabeça como quem concorda com o lashon hará e acrescente palavras, para obter algum benefício de quem conta, ou para que pensem que ele é uma pessoa sábia. Mas isso, na verdade, é a proibição da bajulação, já que bajula quem conta.

E a um caso assim se aplica o que está dito (Provérbios 23:2): "E põe uma faca na tua garganta, se és homem de apetite". E a pessoa é obrigada a se expor ao perigo, e não transgredir uma proibição como esta. E a isso se aplica a afirmação dos nossos Sábios, de abençoada memória: "É melhor que a pessoa seja chamada de tola todos os seus dias, e não seja perversa nem por uma hora diante do Onipresente".