Chafetz Chaim – Introdução (1)
Bendito seja Hashem, D'us de Israel, que nos separou de todos os povos, nos deu a Sua Torá e nos trouxe à Terra Santa para que tenhamos o mérito de cumprir todas as Suas mitsvot. Toda a Sua intenção é somente para o nosso bem, para que, por meio disso, sejamos santos para Ele, como está escrito (Números 15:40): "Para que vos lembreis e cumprais todas as Minhas mitsvot, e sejais santos para o vosso D'us". E assim teremos a capacidade de receber a influência da Sua bondade e da abundância da Sua benevolência neste mundo e no Mundo Vindouro, como está escrito (Deuteronômio 10:12-13): "O que Hashem, teu D'us, pede de ti, senão etc., guardar as mitsvot de Hashem e os Seus estatutos, que Eu te ordeno hoje, para o teu bem".
E não Lhe bastou nos dar o Seu precioso instrumento, mas também nos ordenou que não o abandonássemos, como está escrito (Provérbios 4:2): "Pois uma boa doutrina vos dei; não abandoneis a Minha Torá". E não é como a conduta de um ser de carne e osso, que, se dá um bom presente ao seu amigo e o amigo não o trata como deve, fica esperando o momento em que o amigo o abandone para que ele volte a tomá-lo para si. Mas não é assim a Porção de Jacó, o nosso D'us. Pois Ele estabeleceu para nós, em cada geração, nos dias do Primeiro Templo, profetas para nos fazer retornar ao bom caminho; e mesmo nos dias do Segundo Templo, quando, por causa dos nossos muitos pecados, o nível do povo judeu desceu da sua santidade original, e faltavam-lhes cinco coisas que havia no Primeiro Templo, apesar de tudo isso, enquanto estávamos na Terra de Israel e tínhamos o Templo Sagrado, podíamos completar todas as partes da alma que há em nós. Pois também a alma possui 248 membros e 365 tendões espirituais.
Porém, por fim, nos dias do Segundo Templo, prevaleceram entre nós o ódio gratuito e o lashon hará, e por causa desse pecado o Templo Sagrado foi destruído e fomos exilados da nossa terra. E desde então até hoje oramos todos os dias ao Santo, Bendito seja, para que nos aproxime, como nos prometeu na sagrada Torá e por meio dos Seus profetas, e a nossa oração não é aceita diante Dele. Como disseram nossos Sábios, de abençoada memória, no tratado Berachot (32b): "Desde o dia em que o Templo Sagrado foi destruído, uma muralha de ferro separa Israel do seu Pai que está nos Céus".
E, na verdade, a nossa queixa não é contra Ele, D'us nos livre, mas contra nós mesmos. Pois da parte Dele nada falta, D'us nos livre, como está escrito em Isaías (59:1): "Eis que a mão de Hashem não está encolhida para salvar, nem o Seu ouvido está pesado para ouvir; mas são as vossas iniquidades" etc. E nos dias de Rabi Yehoshua ben Levi encontramos na Guemará, no tratado Sanhedrin (capítulo Chelek, 98a), que lhe responderam: "Hoje, se ouvirdes a Sua voz", virá o Mashiach. E isso embora naquela época ainda não se tivesse completado o tempo de exílio decretado sobre Israel, que seria de mil anos de exílio, conforme a medida de um dia do Santo, Bendito seja, como encontramos nas palavras dos nossos Sábios, de abençoada memória. Apesar de tudo isso, a força do arrependimento (teshuvá) podia anular o decreto. Com mais razão ainda em nossos dias, quando já se passaram oitocentos anos desde que passou aquele dia mencionado. E a causa não é outra senão de nossa parte: por causa dos nossos muitos pecados, não permitimos que Ele faça repousar a Sua Presença Divina (Shechiná) entre nós.