Chafetz Chaim – Introdução (2)
E quando examinamos e investigamos os nossos caminhos, para saber quais pecados são os principais responsáveis pela longa duração do nosso exílio, encontramos muitos. Porém, o pecado da língua supera todos eles, por várias razões.
Primeiro, porque este foi o motivo principal do nosso exílio. Sendo assim, enquanto não corrigirmos este pecado, como poderá haver redenção? Se este pecado causou o nosso exílio da nossa terra, com mais razão ainda não nos permite voltar à nossa terra.
Além disso, sabe-se que o exílio foi decretado sobre nós desde o episódio dos espiões, como está escrito em Salmos (106:26-27): "E levantou a Sua mão contra eles, para derrubá-los etc. entre as nações e para espalhá-los pelas terras", conforme explica Rashi ali. E o pecado dos espiões foi justamente lashon hará; portanto, somos obrigados a corrigir este pecado antes da redenção.
Encontramos ainda, explicitamente, que este pecado faz com que Israel seja subjugado com dureza, conforme está escrito na porção de Shemot (Êxodo 2:14): "Certamente o assunto se tornou conhecido". E encontramos ainda explicitamente no Midrash Rabá (Devarim Rabá 6:14): "Disse o Santo, Bendito seja: Neste mundo, por haver lashon hará entre vós, retirei a Minha Presença Divina do vosso meio; mas no futuro vindouro etc." E há também um versículo explícito na porção de Vezot Haberachá (Deuteronômio 33:5): "E houve um rei em Yeshurun, quando se reuniram os chefes do povo, juntas as tribos de Israel". E Rashi explica ali: quando Ele é Rei em Yeshurun? Justamente quando as tribos de Israel estão juntas, e não divididas em grupos separados. E sabe-se que esta divisão costuma surgir por causa do lashon hará.
E além disso, como poderão recair sobre nós as bênçãos do Santo, Bendito seja, pelas quais tanto esperamos, se, por causa dos nossos muitos pecados, estamos habituados a este pecado? Pois há sobre isso uma maldição explícita na Torá (Deuteronômio 27:24): "Maldito aquele que fere o seu próximo às escondidas", o que se refere ao lashon hará. Isso sem contar as outras maldições que há ali.
E além disso, sabe-se pela Guemará no tratado Arachin (15b) que a gravidade deste pecado é imensurável, a ponto de terem dito a respeito de quem o comete que é como quem nega o fundamento da fé, D'us nos livre. E disseram no Talmud de Jerusalém, no tratado Peá (1:1), que a pessoa é punida por este pecado neste mundo, e o principal permanece reservado para o Mundo Vindouro.
E veja adiante, na Abertura (Petichá), e no meu livro Shemirat Halashon, onde transcrevemos todas as passagens do Talmud, dos Midrashim e do Zohar mencionadas sobre este assunto. Quem as estudar e refletir bem sobre elas sentirá os cabelos da cabeça se arrepiarem diante da gravidade deste pecado.